Tom Carmim
Poesias
Ateu Poeta/ Amadeu Nuvem/ Aroldo Hidtoriador
1
TOM CARMIM
Todo dia o amor
Diz ao beija-flor
O que é dor sem fim
Quando a natureza
Mostra a beleza
Num botão de jasmim
O condor
Para o pescador
É um querubim
De real leveza
Tamanha fortaleza
E tão longe de mim
Todo tocador
Finge ser ator
Ao som do clarim
Com tanta clareza
Talvez esperteza
Sob a voz de Tim
O interlocutor
É um expectador
De camarote ou camarim
Persona de firmeza
Detentor da fineza
Para o bom e o ruim
Enquanto a poesia
Encanta com maestria
Ao som do jardim
Descobre com o nobre
Além do esnobe cobre
Um parecer afim
No trabalho com afinco
Ouro vira brinco
E pólvora festim
O pobre é tão rico
Quanto um tico-tico
Se for feliz assim
O mundo carece de franqueza
Das cartas na mesa
Tocando tamborim
Para sonhar com alegria
Dançar a sinfonia
Ópera de botequim
Com total certeza
De jamais ser alteza
A dúvida é o estopim
A revolução
Toca o meu coração
Com seu tom carmim
Ateu Poeta
20/09/2016
Quanto um tico-tico
Se for feliz assim
O mundo carece de franqueza
Das cartas na mesa
Tocando tamborim
Para sonhar com alegria
Dançar a sinfonia
Ópera de botequim
Com total certeza
De jamais ser alteza
A dúvida é o estopim
A revolução
Toca o meu coração
Com seu tom carmim
Ateu Poeta
20/09/2016
2
ABISMO
Felicidade é combate
Aniquilar excesso e escassez
Rio perene que não transborda
Prazer é satisfazer o instinto
Soltar a fera de vez
A borda da loucura é a privação
Abala as estruturas da razão
Deságua em constante tristeza
O homem é um animal extinto
Preso em sua própria fortaleza
A incerteza é o caminho
Doce vício de viver
Cruza os braços para o abismo de quem não quer saber
A morte é fomentada pelo terror da mentira
Ateu Poeta
01/11/2012
3

FUNK
(Paródia)
O que é importante não é charme nem funk
Ou dançar bonito
Mas, prender o traficante
Segurança e saúde da favela ao asfalto
É preciso ficha limpa
Da câmara ao planalto
Política não acontece a cada quatro anos
Mas o tempo todo
Por debaixo dos panos
É preciso cortar a reeleição
Dependência partidária e voto de legenda
Fazer a diferença é muito relevante
Tire a venda e seja a revolução
O Brasil não está à venda, lute por educação
Ateu Poeta
08/12/2012
4
REPRESA DAS MÁQUINAS
Estou preso na represa de meus ais
Neste mundo tirano
Tenho planos de navegar
Noutras galáxias
Preciso voar feito condor
No cosmo infindo
Mas, meus lábios aflitos
Vagam longe dos teus beijos inflamáveis
Sou máquina do pensar
Que perdeu o combustível para sonhar
Continuo como pirilampo exausto
A vagar pelas ruas
Um dia serei mil estrelas
E todas serão tuas
Ateu Poeta
05/09/06
5
TEOREMA DA EXISTÊNCIA
Olhar vulcânico
Que me faz petrificar
Para onde olhas
Em pensamentos infinitos?
Imagem que me faz sonhar
Beijar-te é dançar
No espaço infinito
Essência da beleza
Leveza em ebulição
Quem dera embalar
De teu sono a canção
Desvendando os labirintos
De teu ser
Musa que me faz viver!
És utopia quântica
Luz e fantasia
Poeira-estelar
Explosão de maestria
Supernova
Poesia-sideral
Balé-cósmico
Safira surreal
Forjada para encantar
Acalenta-me cada anseio
Seguir-te os passos é voar
Em teu seio nada sei
Regaço doce que inflama
Donzela em castelo presa
Sou cavaleiro de armadura
Penetrando densas matas
De intensa fortaleza
Dama-demência
Sem ti o ar é rarefeito
O mundo não é perfeito
E se encontra em decadência
Gozar de teu sabor
É o teorema da existência!
Ateu Poeta
2009-2019
2009-2019
6
DEUSA DO CAOS
A mulher é anjo e demônio
Que leva ao divã a maior supremacia
Domina o mundo com a pele mais macia
Eleva o menor dos seres com ímpar destreza
Dá vida à perfeição e beleza
Deusa do caos e ternura
Tornou a natureza poetisa
Fez do amor a loucura
No dia em que for invisível
O mundo desaba
O universo acaba
Chorando sua mais sublime ode
O encanto perderá a nobreza
Serão em vão todas as leis
A própria existência acordará com saudades de outrora
Enquanto o tempo se suicida
O homem sozinho é ilusão à procura
Do esplendor, virtude e maestria
Em qual ser estará a real sinfonia
Do desejo, calor e brilho
Fascínio, carinho e abrigo
Candura, perigo e adoração?
Nessa diva do bem e do mal
Que rouba qualquer coração
Ateu Poeta
13/11/2011
7
POETAS EM MARESIA
Sacrifício é o vício do herói
Amargo ofício que corrói
Mói a vida sem guarida
Via na mais completa escuridão
Porão, cova e alcova
Tudo no sabre se renova
Supernova de pólvora
O sol em teus olhos é trova
Guria, és prova do trovão
O mundo em tuas mãos muda de categoria
Parágrafo ágrafo que apavora e contagia
O dilema sempre me guia, salvar a si mesmo ou à poesia?
Que será do Ceará ao fim do dia?
Maré de musas, poetas em maresia
Ateu Poeta
17/08/2012
8
ARAPUCA
Não amo
Porque amor é prisão de via dupla
Arapuca de mandar e obedecer
Hora de voar até um novo amanhecer
Toda liberdade é pouca
Queremos por instinto sempre mais
Ás na manga ao por do sol
Nesse regaço se esconde o paraíso
Mas nenhum oásis é infinito
Nos banhemos enquanto bonito for
Dançando com um pé na ilusão
E outro na imensidão da highway
Vou até onde a asa me levar
Canção sincera sobre o mar de arrebol que reverbera
Ateu Poeta
27/04/2012
9
VIDA CRUA
A necessidade molda o mundo e a visão
Muda sonhos profundos
Solapa e cria adversidades
Constrói e mata amizades
Trabalho vira distração
Fascinação explode em lá menor
A mente encrua ou transborda
Tosta a vida crua
Salga ou adoça a água
Alga vira amálgama
Sábio pira
Loucura cura
Secura se faz mar
Da miséria à usura
Ateu Poeta
22/11/2012
10
SÍNTESE DO INEXPLICÁVEL
Teu sorriso ofusca estrelas de hidrogênio
Falta oxigênio nessa natural arritmia
O mundo mudo muda, guria
Tudo vira poesia
Fantasia de um sonho profundo
Brilha o sol de mil sinfonias no abismo do teu olhar
Onde aforismos viram disparates
Onda de encanto sublime disparastes
O céu se perde em tua haste
Teu regaço é laço de arte em maestria
Fulgor, furor e fantasia
Filamentos viram frenesi
O âmago amargo se debate nas sinapses
És síntese do inexplicável
Ateu Poeta
01/09/2012
11
Volta
Revolta turva
Reviravolta vira voto vivo
Veta a curva
Revira ribalta
Vinga viravolta
Vê além da massa de modelar
Viva a repolítica do ver!
Cego chego
Paralítico ego
Surdo reforma a forma
Mudo aconchego
Sossego a repensar mente
República pública
Id tiro
Retiro partição
Repartição modelo
Partir por ti
Partos da revolução sem pastores
Reparto rotas
Pastores partidos repartidos
Ré, voltas?
Partidas rotas
Start!
Reticências quilombólicas d’art
Essência de passos e repassos sonâmbulos
Perto do paço modelo plumas faiscantes
Desperto o ser inteligível para alçar o abismo do indecifrável
Reta virtual da virtude do compasso angelo-surreal
Ateu Poeta
27/04/2007
12
Leio o mundo sambista de Zé Keti
Na vibrante voz de Negra Lee
Tomas Farkas revidente
Safíricas íris de Fernanda
No revés dum maxixe
Andante nontropo con grazia em pianíssimo
Allegro saxofônico
Agoreios na simulação pitangueira do frevo
Allos menstréis nas reminiscências de Caimmy
Alegorias do imortal Bezerra
Son et lumière
Boêmio bandolim traduz o sentido da serenata indizível
Arlequim toca lira com floreios digitais
Dó maior eletrônico
Raio de arraia no cais
Tênues tentáculos de estrela-sol
Ateu Poeta
21/05/2007
21/05/2007
13
LABIRINTO CÓSMICO
Fotografei teu pensamento
E me vi ali
Figura desumana e vil
A violar-te os anseios e segredos
Tive medo de ser tragado pelo coração em chamas
Desse amor que proclamas a esconder
Não sei se quero a ti ou a solidão
Já que a vida é um pavio armado
Quem escondeu os fósforos?
Que hora é a explosão?
Qual nota tocar?
Imerso em álgida reflexão
Horas a fio a velejar
No sideral-espaço me perdi
Ateu Poeta
11/03/2008
11/03/2008
14
Seios à mostra
Sabes que enfeitiças
Essas nádegas roliças
Quase freiam-me o andar
Curvas de cento e oitenta graus
Olhos febris em caos
A que posso te comparar
Querubim perfeito?
Vejo-te qual Satânia
Sou o poeta a admirar
Lá na torre de Ismália
Enraízam-me asas ao luar
Voo em teus braços
De abraços desejar
Sonhos tristes, impossíveis
Infeliz de quem amar...
Coração bate em debate
Delirando emancipar
Felicidade n’aliança
Canhot’anelar
Se tu fores tentação
Que leve à porta do Inferno
Arderei sem medo nas flores
Do magma eterno
Ateu Poeta
24/01/2006
15

CARPENDIA
O poema de amor
Restaura o coração
Mais profusamente
Partido
Restaura o coração
Mais profusamente
Partido
Ou o faz doer
Feito fogo
Em lugar indevido
Feito fogo
Em lugar indevido
A letra mal formulada
Espanta o leitor
Da poesia
Espanta o leitor
Da poesia
Um bom sentido rasga
A cela da prisão mais bravia
A cela da prisão mais bravia
Alitera a nostalgia
Que à letra da alegria
Dilacera
Que à letra da alegria
Dilacera
E carpendia
A vida bela
A vida bela
Ateu Poeta
16/10/2011
16/10/2011
16
SONETO PRA INGLÊS VER
Knockout, Logout, Blackout, Know-how
Em que lugar nasceu o Sol?
É tudo blues no arrebol?
Causa sine qua non um téte-a-téte
Não terá close-up em Oklahoma
Never in stand by, ninguém trará o sal
Forever very much hot, my baby
A minha neve é mais branca que a sua
O poeta não pode ter a lua, mas canta a língua
De um país já esquecido, enfant-gaté
Que desconhece suas tribos pelas ruas à míngua
Renega a própria tropa em abril
Para se espelhar no pirata da Europa
Que ancora, faz morada, leva prata e traz fuzil
Ateu Poeta
17/12/2012
17
PORTO À DERIVA
Teu olhar ludibria a brisa mais tênue da razão
No minuto em que some a multidão
Anestesia a dor da solidão
És fantasia dos meus sonhos mais profundos
A mais linda poesia de poeira cósmica na explosão da supernova
Maresia de mil mundos
Holocausto na foz do sistema límbico
Terremoto do lóbulo temporal
Aparelho que deixa o parietal em parafuso
Curas e causas arritmias
Teu abraço traz paz enluarada
Teu corpo é porto à deriva
Em teu rosto minha mente faz morada
Incerta jornada no mar da fascinação
Ateu Poeta
18/7/2012
18
SONHO MAIOR
Quando canso de tanta repetição
Simplesmente paro
Calo e escuto o silêncio repentino
Volto a ser menino que se encanta
Canto para o lirismo aflorar
Enquanto as flores sopram sua fotossíntese
Desfaço-me em repente
A prima-donna em pianíssimo cura os calos da razão
Tudo é só contemplação
Templo de afeição ao piano em ré menor
Soprano aos quatro cantos de um mundo Kantiano
A voz de Marjorie Estiano lembrou-me outra época
Refez a foz da fé em nada
Mergulho no barulho de um sonho maior
Ateu Poeta
02/08/2012
19
O ASSOVIO DO VENTO
O mundo não é tua redoma, guria
Doma tua liberdade
Antes que a frialdade siga a tua direção
No caminho mais duro
Se encontra, muitas vezes, o tesouro puro
Segue para longe, apesar de todo apuro
Lá onde o vento assovia
As vias se entranham
E se estranham as rodovias
Ergue a tua linha, nenhum lar é seguro
A sangria em teu peito cessa
A mente que não cria seca
Vai na calma e flutua
Fecha a palma da mão e continua
Ateu Poeta
23/04/2012
20

CLAVE DE SOL
Violas, violetas e violinos
Arco-íris de colibris em flores
Aresta do retrô enfeita em festa
Quem dera ser trovador
Nos meus sonhos de menino
Uma clave de sol acorda sem dó
Um vagabundo no metrô
A poesia do dia a dia me traz de volta o ar
Devolve a solidez ao mundo
Transforma lamentos em acalanto
Encanta o canto mais profundo
Devora dor e tormento
Abre as janelas do meu pensamento
Faz da minha solidão o seu lar
Ateu Poeta
17/12/2012
21
GUERRA
Foi ali, na porta do impossível que me pus a sonhar
Voei sem asas por jornadas tortas
De abismos regressei
Vivo sem saber se a razão é de quem cai
Ou se cada arranhão é uma pedra do caminho
Nos meus olhos mora a imensidão dos dias vindos
Por que cansa desistir
E nunca vi conseguir aquele que para
Mudar o mundo quem cala
Proferir ao vento e não se fazer ouvir
Nem calo para sempre sangrar
Se o único caminho for lutar
A espada se fará aferir
E a guerra será meu lar
Ateu Poeta
29/08/2012
22
A maestria de teu semblante
Conduz meus brilhantes
A seguir-te os esses
Chego a escutar os sons
Perdidos de teus pensamentos
Mas esses soníferos filamentos
Isentos de leitura
Escondidos na candura
Do anjo de alvura
Fogem-me à decifração
Como saber se guardas
Minha foto em mente
Ou se há guardas
Em teu coração?
Aguardas minha chegada
Na alvorada de tua vida
Ou no entardecer da guarida
Sem coragem de ação?
Estou só ao Sol do meio-dia
Estarás sempre na via
És minha constelação
Ateu Poeta
12/12/2007
12/12/2007
23
MOMENTOS DE PRAZER
Nada é tão importante
Quanto teu cabelo ao vento
Aquele abraço apertado
O enlaço do momento
Que não volta
Tantas revoltas na vida
Por coisas tão banais
O mundo em caos político
Maremoto e furacões
Deixamos de viver
Por tantas frustrações
Quando tudo que importa
São os momentos
De prazer
Ateu Poeta
25/10/2011
24

PIANO
Faz-me flutuar em tuas tristes diretrizes
Irradiando prazer sinfônico num romantismo sem igual
Melodrama repleto de poesia e carnaval
Voo a dançar
Passos de euforia
Pérola-negra em caldas
Mil donzelas e meretrizes
Sideral espaçonave
Siderúrgica filamental
Ave em chamas
Conclave sem clave
Incógnita que nem Eratóstenes resolveria
Por ti transpassa a latitude ptolomesca de Pitágoras
Algarísmica alegoria de cunho artesanal
Frenesi sem o qual a humanidade se consumiria
Quando todos os gênios e deuses desabarem
A música ainda reinará na Távola de Arthur rei
Musa diáfana a compor-me desejos
Deus-dará
Irei
A Churman, Chopin ou Bach,
Beetowen, Tchaikóviski, Mozart, sei lá!
Villa-Lobos, o oráculo brasileiro
Piano, dê-me uma nota preta de amor por inteiro
De tuas cordas vocais ouço a foz do conhecimento
Talvez seja só sentimento
Brota em meu peito uma dor que ao canto encanta
Não dói, acalanta
Emana palavras em vez de lamentos
Voz melodiosa de emoção
Avida é uma canção
Festa a ir e vir, estação
Manto da prisioneira liberdade
Expressão impressa
Paisagem da tarde sem pressa
No baile da Deusa
Felicidade
Ateu Poeta
Ateu Poeta
25/11/2008
25
MUSA DO NATAL
Musa do natal
Qual o portal para o teu coração?
Faz de mim ritual
O pedestal para a tua paixão
Fogo que te queima
A centelha da tua vida
Quero explorar as minas dos teus filamentos
Deflorar-te os pensamentos
Acolher-te os tormentos
Ser ator do instante mais feliz
Seja a atriz dessa peça aquarela
Na imensidão de um momento
Que teu regaço seja
A minha fortaleza, guarida e canção
Ateu Poeta
25/12/2012
26
JOGO BOBO
Se a vida é um jogo
Que seja roda de capoeira
Uma guria faceira levanta fogo
Voz não é mais que lareira
Há atroz algoz à foz afônica
Três estrelas no porão
O sol feroz é um lobo de algodão
Bêbado bobo
Alcorão, talvez
Alcatraz de alcatrão
Atrás do cão que não ladra mais
O ladrão é perspicaz
Conduz fascinação
Tem linhas e marionetes de antemão
Ateu Poeta
02/07/2012
27
Poesia é desenho
As curvas de teu corpo
Mergulho de tigre
Inteligência do corvo
Canto de sabiá na serra serena
Desabrochar de açucena
Açude em teu olhar
Oásis que ilude
Transeunte de alaúde
A cor do céu que mude
Grande sol sem atitude
a luz da lua que afunde
Seu regaço que faz laço em meu pescoço
Sem alvoroço, por que a estrela é tua
Ateu Poeta
07/06/2012
28
UNIVERSO PARADISÍACO
São os sonhos que nos movem
A felicidade é o único sentido da vida
Por isso voo sempre mais alto
Até o universo paradisíaco
Onde os poetas são deuses extremos
As deusas nuas realizam meus desejos hedonistas
Vestidas de paixão num banho de poesia
A música é o manjar supremo
A maçã de Idun adoça todas as bocas
Pecado é sinônimo de loucura
Sagrado e perfeição são só adjetivos de contemplação ao que é belo
Não existe bélico ou profanação
Epicurismo é o primeiro mandamento
E ateísmo um novo nome para razão
Ateu Poeta
30/04/2012
29
GRADES DE DIAMANTE
A maior prisão que existe é a intelectual
O terror impregnado em sua veia espectral
Surreal, sem cor e funesta
Lá que está todo o pavor dos seus receios
Anseios, segredos e desejos em festa
Preso a tantos cadeados de ouro puro
Somos todos escravos, rebeldes ou não
O chicote está na mão mais cruel
O cartel move moinhos escuros
Águas passadas secarão
Nenhuma guerra sessará o sangue
Tantos sem cama e poucos com tanto
Dama em prantos em grades de diamante
Sem ouvido amante para olvidar
Ateu Poeta
08/06/2012
30
DIADEMAS
Às vezes, o poema não cria asa
Então, lembro-me de ti, musa-brasa
Estou em casa no teus braços-algemas
Pairando sobre o Sol-se-por diademas
Queda livre da torres gêmeas diamantes
De amantes arranha-céus arranham chão
Ouço um clarão do perfume beijo fantasia de teus lábios de rainha
Abraço o sabor fugaz da tua imagem-sonho de macia pele
Que se repele ao dia perante a verdade enluarada
Divas sentem saudade na claridade da jornada
No ocaso da jangada adornada
Ou no acaso da razão alada?
Penetro o seio da Terra
O pára-quedas não abriu
O tempo para mim sorriu
Um sorriso fúnebre de guerras
Levanto banhado em poesia
Pássaros seguem minha via estelar
Vão te buscar atrás do monte de pedras
És aurora, no canto sinfônico do sabiá
Ateu Poeta
25/03/2007
31
Rota:
Bater sempre
Em tua
Porta
Rota, é a cesta
Que trago
De gota
Em gota
Retilínea
Afoita
Sobe a saia
Da garota
Mergulho
Para
Emergir
Orvalhos
Alma em frangalhos
Auréola sem bugalhos
Galhos, cascalhos de aura
Buraco-negro
No estômago d’um mendigo
Supernova da fome
Balas de alucíneo
Burlar empecilhos
Cai na lua de aluá
Morri para me encontrar
Entre reticências roucas
Medo de errar
O Inferno é transparecer
O Céu, te conquistar
_Armando, seu malandro
Que estarás armando
Com tal meandro?
Diz Amalie
Quase sem ar
Ao término da ópera
Sucesso na operação
Fim de uma canção
O deserto da noite me consome
Acho a tal flor
Meu amor some
Presente ignorado
No presente
Tenho um coração ausente
Que
Me
Foi
Roubado...
Ateu Poeta
20/12/2004
32
Noite nublada em serenatas de partículas
Manto negro enluarado pelo beijo gelado da chuva tempestuosa
Nebulosa mnemônica de segredos belos
Ventania fabulosa de cabelos
Orvalhos falho de moléculas labirínticas
Xamã saudosista chama abraços esquecidos
Chama víride envidraça-me a face das pupilas
A idiossincrasia de um toque labial desarmoniza a espiral do pensamento expressionista
Estou alado de gotículas sob o geográfico
Céu das incógnitas filamentais
Náufrago tonto no oceano dos dilemas fundamentais
Aceito no clã dos serafins elementais
Moro na matrix que Sarrus desinventou
Colho as estrelas bilaquianas de Olavo
Lavo o sonho de alicinos coelhos com teias maravilhosas de elétrons
Magneto Anjo Aquífero trajando armadura fabricada com notas agudas de Chopin
As trevas de Poe modelam-se escudo despoético
Dos chapéus de Rubens construo elmo
Não adianta ser um druida d’arte quando a verdade é servida à la carte
Possuo todas as fraquezas cabíveis ao homem comum
Nunca passei de um mero natural de Homero
Ateu Poeta
03/06/2007
33
POESIA PESADA
Joga a rima pra outra esquina
Deixe-me aqui a pensar
Regras, pra que te quero?
Normas me fazem tripudiar
Mas prefiro ter liberdade
Poesia de verdade é só linguagem, nada mais
Pra que regras se não as quero?
Impero sem a elas exaltar
Quem as amar que as bajule
Eu quero é me esbaldar na literatura sincera
De azul aquarela, no repente
É minha natureza
A fortaleza dos meus versos está em não ter freio
Não corte minha inspiração
Sai do meio!
A transpiração do poeta não carece de rima
Ou de outra técnica qualquer
Porém, dá leveza
Minha poesia é pesada
Normas me fazem tripudiar
Mas prefiro ter liberdade
Poesia de verdade é só linguagem, nada mais
Pra que regras se não as quero?
Impero sem a elas exaltar
Quem as amar que as bajule
Eu quero é me esbaldar na literatura sincera
De azul aquarela, no repente
É minha natureza
A fortaleza dos meus versos está em não ter freio
Não corte minha inspiração
Sai do meio!
A transpiração do poeta não carece de rima
Ou de outra técnica qualquer
Porém, dá leveza
Minha poesia é pesada
Ateu Poeta
18/03/2011
18/03/2011
34
MÁQUINA DE LAVAR
Lavagem de dinheiro
Lavagem cerebral
Carnaval o ano inteiro
É nossa herança cultural
O que é estar limpo?
A ficha suja limpa fácil
Põe na máquina do senado
Põe na máquina de lavar
Não sabemos votar
Alguém aí ensina?
A sina do cabresto
Mora em cada esquina
Ateu Poeta
22/03/2012
7:48
35

UNIVERSO DE ARROZ
Viver é simples relação a dois
A ilusão de um poeta sem depois
Universo de arroz numa sarjeta de aquarela
Os olhos dela longe de mim
A solidão de uma tarantela
Enfim, uma indagação sem resposta
Aposta que sempre se perde
Apóstata que nunca se acha
Muchacha que não se esquece
Soneto mais que imperfeito
Pensamento rarefeito que não aquece
Literatura que fenece à História
Verdade peremptória que não aparece
Compositor sem glória na oratória
Ateu Poeta
05/07/2012
36

POESIA PURA
Sentir lalíngua sua
Sobre a idiossincrasia nua
Voar imerso
No labirinto cósmico
Do seu sorriso irradiante
No labirinto cósmico
Do seu sorriso irradiante
Poesia pura
Na aquarela dura
Na aquarela dura
Da realidade
O Céu é ser seu
Felicidade
Felicidade
Ateu Poeta
22/05/2007
37
ALITERÁRIA
A dúvida paira neste coração vazio
Meu mundo está frio
A lira não alitera
A literária perdeu o lirismo
O mais eloquente aforismo não incendeia a palha
Para a hora e o dia
O relógio arrepia a aurora do tempo bureau
A poesia inexiste a esta altura
A poética é tortura que ludibria
Perdura anestesia, ilusão
Mergulho no negro seio do universo
Para outra dimensão
Ateu Poeta
31/07/2011
38
TEMPESTADE
Todas as minhas palavras foram distorcidas, retorcidas, mastigadas, incompreendidas.
Isso é poesia ou a vida que é mesmo ingrata?
Poderia haver vida em outros versos, pelo inverso desse universo diverso, porque tudo deriva da antítese matéria-vácuo?
Se os poetas fossem loucos o mundo seria normal?
Todas as ideias mais caras foram esquecidas, rebatidas, mal interpretadas.
Será mesmo que isso importa?
As melhores coisas da vida estão distantes ou isso é só ilusão?
Desequilibrei tantas vezes na corda bamba, mas sempre caio no samba em todo carnaval.
Se todos procuram um par por instinto por que as melhores ideias se aquecem, fermentam e borbulham na frialdade da mais completa solidão?
Procuro retidão mas, me perco em suas curvas.
Olho para o horizonte mais longínquo e não consigo fugir do labirinto enigmático dos seus olhos radiantes.
Parece próxima longe e longe próxima.
Não sei mais se quero prisão ou liberdade, mesmo sabendo que ninguém de fato é livre.
Será que já fui um pensador ou um simples passavante avante em paços desérticos, incertos, de parcos passos sem primadonna nessa orquestra sem fim?
O céu pelo qual me empenho estará disposto a se abrir ou a tempestade inundará mais ainda esse naufrágio?
Tudo um dia foi frágil. A força não existe em definitivo, por si, é uma mera obra em transição molecular.
a melhor obra-prima não superará a naturalidade da imperfeição que se auto-transforma em valquírias belas sem nenhum Designer invisível, facínora, fascista, onipotente-ciente-presente daquilo que jamais controlaria.
Esta noite assisti, na grande Ragnarok, à morte de Odin, Dion e Théo, nos negros campos do Valhala.
Se o universo fosse criado por Lugh tudo seria poesia?
O olhar de uma guria pararia o mundo?
Ateu Poeta
07/02/2011
39

CÉU EM CÍRCULOS
O universo anda em círculos imprecisos
Eu circulo por aí e me perco no horizonte dos teus olhos preciosos
Faço do teu corpo dobraduras de cristal
Preciso urgentemente do teu calor natural
No logradouro do teu abraço me perco
Regaço que enlaça meu pobre coração adormecido
Teus beijos são loucuras de amor e libido
Pudor vira vapor entre quatro paredes
Quadro que esconde meu rosto da multidão
Oxente, teu corpo é corrente de onde a poesia flui
Contemplação, prazer e ardor no mesmo lugar
O céu da tua boca é o paraíso obtuso que preciso
Meus medos criam abismo entre nós
Ditames diáfanos de infindos nós a flutuar
Ateu Poeta
07/07/2012
40

-MARESIA ORQUESTRAL
Teu olhar de tempestade, minha cara
Transforma minhas sinapses em etimologia
Teu corpo é poesia de saudade
Fantasia ultra-surreal
Mar de ufanias
Maresia orquestral
Descomunal sinfonia
A mais incrível aventura intergaláctica
Paralaxe para lá da Via Láctea
Júlio Verne não ousou tal maestria
Nenhum ourives sonhou joia tão rara
Tua imagem é lobotomia da razão
Em teu rosto mora a fascinação
Vou voar para a próxima estação
Ateu Poeta
04/06/2012































