terça-feira, 16 de setembro de 2025

Livro 28 Tom Carmim

 Tom Carmim


Poesias


Ateu Poeta/ Amadeu Nuvem/ Aroldo Hidtoriador


1

TOM CARMIM

Todo dia o amor
Diz ao beija-flor
O que é dor sem fim
Quando a natureza
Mostra a beleza
Num botão de jasmim

O condor
Para o pescador
É um querubim
De real leveza
Tamanha fortaleza
E tão longe de mim

Todo tocador
Finge ser ator
Ao som do clarim
Com tanta clareza
Talvez esperteza
Sob a voz de Tim

O interlocutor
É um expectador
De camarote ou camarim
Persona de firmeza
Detentor da fineza
Para o bom e o ruim

Enquanto a poesia
Encanta com maestria
Ao som do jardim
Descobre com o nobre
Além do esnobe cobre
Um parecer afim

No trabalho com afinco
Ouro vira brinco
E pólvora festim
O pobre é tão rico 
Quanto um tico-tico
Se for feliz assim

O mundo carece de franqueza
Das cartas na mesa
Tocando tamborim
Para sonhar com alegria
Dançar a sinfonia
Ópera de botequim

Com total certeza
De jamais ser alteza
A dúvida é o estopim
A revolução
Toca o meu coração
Com seu tom carmim

Ateu Poeta
20/09/2016

2
ABISMO

Felicidade é combate
Aniquilar excesso e escassez
Rio perene que não transborda
Prazer é satisfazer o instinto

Soltar a fera de vez
A borda da loucura é a privação
Abala as estruturas da razão
Deságua em constante tristeza

O homem é um animal extinto
Preso em sua própria fortaleza
A incerteza é o caminho
Doce vício de viver

Cruza os braços para o abismo de quem não quer saber
A morte é fomentada pelo terror da mentira

Ateu Poeta
01/11/2012

3
Resultado de imagem para Funk gif Marquezine
FUNK
(Paródia)

O que é importante não é charme nem funk
Ou dançar bonito
Mas, prender o traficante
Segurança e saúde da favela ao asfalto

É preciso ficha limpa
Da câmara ao planalto
Política não acontece a cada quatro anos
Mas o tempo todo

Por debaixo dos panos
É preciso cortar a reeleição
Dependência partidária e voto de legenda
Fazer a diferença é muito relevante

Tire a venda e seja a revolução
O Brasil não está à venda, lute por educação

Ateu Poeta
08/12/2012

4
REPRESA DAS MÁQUINAS

Estou preso na represa de meus ais
Neste mundo tirano
Tenho planos de navegar 
Noutras galáxias
Preciso voar feito condor
No cosmo infindo
Mas, meus lábios aflitos 
Vagam longe dos teus beijos inflamáveis
Sou máquina do pensar 
Que perdeu o combustível para sonhar
Continuo como pirilampo exausto
A vagar pelas ruas
Um dia serei mil estrelas 
E todas serão tuas

Ateu Poeta
05/09/06

5
TEOREMA DA EXISTÊNCIA

Olhar vulcânico
Que me faz petrificar
Para onde olhas
Em pensamentos infinitos?
Imagem que me faz sonhar
Beijar-te é dançar
No espaço infinito
Essência da beleza
Leveza em ebulição
Quem dera embalar
De teu sono a canção
Desvendando os labirintos
De teu ser
Musa que me faz viver!
És utopia quântica
Luz e fantasia
Poeira-estelar
Explosão de maestria
Supernova
Poesia-sideral
Balé-cósmico
Safira surreal
Forjada para encantar
Acalenta-me cada anseio
Seguir-te os passos é voar
Em teu seio nada sei
Regaço doce que inflama
Donzela em castelo presa
Sou cavaleiro de armadura
Penetrando densas matas
De intensa fortaleza
Dama-demência
Sem ti o ar é rarefeito
O mundo não é perfeito
E se encontra em decadência
Gozar de teu sabor
É o teorema da existência!

Ateu Poeta
2009-2019

6
DEUSA DO CAOS

A mulher é anjo e demônio
Que leva ao divã a maior supremacia
Domina o mundo com a pele mais macia
Eleva o menor dos seres com ímpar destreza
Dá vida à perfeição e beleza
Deusa do caos e ternura
Tornou a natureza poetisa
Fez do amor a loucura

No dia em que for invisível
O mundo desaba
O universo acaba
Chorando sua mais sublime ode
O encanto perderá a nobreza
Serão em vão todas as leis
A própria existência acordará com saudades de outrora
Enquanto o tempo se suicida

O homem sozinho é ilusão à procura
Do esplendor, virtude e maestria
Em qual ser estará a real sinfonia
Do desejo, calor e brilho
Fascínio, carinho e abrigo
Candura, perigo e adoração?
Nessa diva do bem e do mal 
Que rouba qualquer coração

Ateu Poeta
13/11/2011

7
POETAS EM  MARESIA

Sacrifício é o vício do herói
Amargo ofício que corrói
Mói a vida sem guarida
Via na mais completa escuridão

Porão, cova e alcova
Tudo no sabre se renova
Supernova de pólvora
O sol em teus olhos é trova

Guria, és prova do trovão
O mundo em tuas mãos muda de categoria
Parágrafo ágrafo que apavora e contagia
O dilema sempre me guia, salvar a si mesmo ou à poesia?

Que será do Ceará ao fim do dia?
Maré de musas, poetas em maresia

Ateu Poeta
17/08/2012

8
ARAPUCA

Não amo
Porque amor é prisão de via dupla
Arapuca de mandar e obedecer
Hora de voar até um novo amanhecer

Toda liberdade é pouca
Queremos por instinto sempre mais
Ás na manga ao por do sol
Nesse regaço se esconde o paraíso

Mas nenhum oásis é infinito
Nos banhemos enquanto bonito for
Dançando com um pé na ilusão
E outro na imensidão da highway

Vou até onde a asa me levar
Canção sincera sobre o mar de arrebol que reverbera

Ateu Poeta
27/04/2012

9
VIDA CRUA 

A necessidade molda o mundo e a visão
Muda sonhos profundos
Solapa e cria adversidades
Constrói e mata amizades

Trabalho vira distração
Fascinação explode em lá menor
A mente encrua ou transborda
Tosta a vida crua

Salga ou adoça a água
Alga vira amálgama
Sábio pira
Loucura cura

Secura se faz mar
Da miséria à usura 

Ateu Poeta
22/11/2012

10
SÍNTESE DO INEXPLICÁVEL

Teu sorriso ofusca estrelas de hidrogênio
Falta oxigênio nessa natural arritmia
O mundo mudo muda, guria
Tudo vira poesia

Fantasia de um sonho profundo
Brilha o sol de mil sinfonias no abismo do teu olhar
Onde aforismos viram disparates
Onda de encanto sublime disparastes

O céu se perde em tua haste
Teu regaço é laço de arte em maestria
Fulgor, furor e fantasia
Filamentos viram frenesi

O âmago amargo se debate nas sinapses
És síntese do inexplicável

Ateu Poeta
01/09/2012

11
ASAS DA REVIRAVOLTA

Volta
Revolta turva
Reviravolta vira voto vivo
Veta a curva
Revira ribalta
Vinga viravolta
Vê além da massa de modelar
Viva a repolítica do ver!
Cego chego
Paralítico ego
Surdo reforma a forma
Mudo aconchego
Sossego a repensar mente
República pública
Id tiro
Retiro partição
Repartição modelo
Partir por ti
Partos da revolução sem pastores
Reparto rotas
Pastores partidos repartidos
Ré, voltas?
Partidas rotas
Start!
Reticências quilombólicas d’art
Essência de passos e repassos sonâmbulos
Perto do paço modelo plumas faiscantes
Desperto o ser inteligível para alçar o abismo do indecifrável
Reta virtual da virtude do compasso angelo-surreal

Ateu Poeta
27/04/2007

12
SABRE

Leio o mundo sambista de Zé Keti
Na vibrante voz de Negra Lee
Tomas Farkas revidente
Safíricas íris de Fernanda 
No revés dum maxixe
Andante nontropo con grazia em pianíssimo
Allegro saxofônico
Agoreios na simulação pitangueira do frevo
Allos menstréis nas reminiscências de Caimmy
Alegorias do imortal Bezerra
Son et lumière
Boêmio bandolim traduz o sentido da serenata indizível
Arlequim toca lira com floreios digitais
Dó maior eletrônico
Raio de arraia no cais
Tênues tentáculos de estrela-sol


Ateu Poeta
21/05/2007

13
LABIRINTO CÓSMICO

Fotografei teu pensamento
E me vi ali
Figura desumana e vil
A violar-te os anseios e segredos

Tive medo de ser tragado pelo coração em chamas
Desse amor que proclamas a esconder
Não sei se quero a ti ou a solidão
Já que a vida é um pavio armado

Quem escondeu os fósforos?
Que hora é a explosão?
Qual nota tocar?

Imerso em álgida reflexão
Horas a fio a velejar
No sideral-espaço me perdi

Ateu Poeta
11/03/2008

14
SEDUÇÃO

Seios à mostra
Sabes que enfeitiças
Essas nádegas roliças
Quase freiam-me o andar

Curvas de cento e oitenta graus
Olhos febris em caos
A que posso te comparar
Querubim perfeito?

Vejo-te qual Satânia
Sou o poeta a admirar
Lá na torre de Ismália
Enraízam-me asas ao luar

Voo em teus braços
De abraços desejar
Sonhos tristes, impossíveis
Infeliz de quem amar...

Coração bate em debate
Delirando emancipar
Felicidade n’aliança
Canhot’anelar

Se tu fores tentação
Que leve à porta do Inferno
Arderei sem medo nas flores
Do magma eterno

Ateu Poeta
24/01/2006

15
CARPENDIA

O poema de amor 
Restaura o coração 
Mais profusamente 
Partido
Ou o faz doer 
Feito fogo 
Em lugar indevido
A letra mal formulada 
Espanta o leitor 
Da poesia
Um bom sentido rasga 
A cela da prisão mais bravia
Alitera a nostalgia 
Que à letra da alegria 
Dilacera
E carpendia
A vida bela

Ateu Poeta
16/10/2011

16
SONETO PRA INGLÊS VER

Knockout, Logout, Blackout, Know-how
Em que lugar nasceu o Sol?
É tudo blues no arrebol? 
Causa sine qua non um téte-a-téte

Não terá close-up em Oklahoma
Never in stand by, ninguém trará o sal
Forever very much hot, my baby
A minha neve é mais branca que a sua

O poeta não pode ter a lua, mas canta a língua
De um país já esquecido, enfant-gaté
Que desconhece suas tribos pelas ruas à míngua
Renega a própria tropa em abril

Para se espelhar no pirata da Europa
Que ancora, faz morada, leva prata e traz fuzil

Ateu Poeta
17/12/2012

17
PORTO À DERIVA

Teu olhar ludibria a brisa mais tênue da razão
No minuto em que some a multidão
Anestesia a dor da solidão
És fantasia dos meus sonhos mais profundos

A mais linda poesia de poeira cósmica na explosão da supernova
Maresia de mil mundos
Holocausto na foz do sistema límbico
Terremoto do lóbulo temporal

Aparelho que deixa o parietal em parafuso
Curas e causas arritmias 
Teu abraço traz paz enluarada
Teu corpo é porto à deriva

Em teu rosto minha mente faz morada
Incerta jornada no mar da fascinação

Ateu Poeta
18/7/2012

18
SONHO MAIOR

Quando canso de tanta repetição
Simplesmente paro
Calo e escuto o silêncio repentino
Volto a ser menino que se encanta

Canto para o lirismo aflorar
Enquanto as flores sopram sua fotossíntese
Desfaço-me em repente
A prima-donna em pianíssimo cura os calos da razão

Tudo é só contemplação
Templo de afeição ao piano em ré menor
Soprano aos quatro cantos de um mundo Kantiano
A voz de Marjorie Estiano lembrou-me outra época

Refez a foz da fé em nada
Mergulho no barulho de um sonho maior

Ateu Poeta
02/08/2012

19
O ASSOVIO DO VENTO

O mundo não é tua redoma, guria
Doma tua liberdade
Antes que a frialdade siga a tua direção
No caminho mais duro

Se encontra, muitas vezes, o tesouro puro
Segue para longe, apesar de todo apuro
Lá onde o vento assovia
As vias se entranham

E se estranham as rodovias
Ergue a tua linha, nenhum lar é seguro 
A sangria em teu peito cessa
A mente que não cria seca

Vai na calma e flutua
Fecha a palma da mão e continua

Ateu Poeta
23/04/2012

20
CLAVE DE SOL

Violas, violetas e violinos
Arco-íris de colibris em flores 
Aresta do retrô enfeita em festa 
Quem dera ser trovador

Nos meus sonhos de menino
Uma clave de sol  acorda sem dó 
Um vagabundo no metrô
A poesia do dia a dia me traz de volta o ar

Devolve a solidez ao mundo
Transforma lamentos em acalanto
Encanta o canto mais profundo
Devora dor e tormento

Abre as janelas do meu pensamento
Faz da minha solidão o seu lar

Ateu Poeta
17/12/2012

21
GUERRA

Foi ali, na porta do impossível que me pus a sonhar
Voei sem asas por jornadas tortas
De abismos regressei
Vivo sem saber se a razão é de quem cai

Ou se cada arranhão é uma pedra do caminho
Nos meus olhos mora a imensidão dos dias vindos
Por que cansa desistir
E nunca vi conseguir aquele que para

Mudar o mundo quem cala
Proferir ao vento e não se fazer ouvir
Nem calo para sempre sangrar
Se o único caminho for lutar

A espada se fará aferir
E a guerra será meu lar

Ateu Poeta
29/08/2012

22
MAESTRIA

A maestria de teu semblante
Conduz meus brilhantes
A seguir-te os esses
Chego a escutar os sons
Perdidos de teus pensamentos
Mas esses soníferos filamentos
Isentos de leitura

Escondidos na candura
Do anjo de alvura
Fogem-me à decifração
Como saber se guardas
Minha foto em mente
Ou se há guardas
Em teu coração?

Aguardas minha chegada
Na alvorada de tua vida
Ou no entardecer da guarida
Sem coragem de ação?
Estou só ao Sol do meio-dia
Estarás sempre na via
És minha constelação

Ateu Poeta
12/12/2007

23
MOMENTOS DE PRAZER

Nada é tão importante 
Quanto teu cabelo ao vento
Aquele abraço apertado
O enlaço do momento 
Que não volta
Tantas revoltas na vida 
Por coisas tão banais
O mundo em caos político
Maremoto e furacões
Deixamos de viver 
Por tantas frustrações
Quando tudo que importa
São os momentos 
De prazer

Ateu Poeta
25/10/2011

24

PIANO

Faz-me flutuar em tuas tristes diretrizes
Irradiando prazer sinfônico num romantismo sem igual
Melodrama repleto de poesia e carnaval
Voo a dançar
Passos de euforia
Pérola-negra em caldas
Mil donzelas e meretrizes
Sideral espaçonave
Siderúrgica filamental
Ave em chamas
Conclave sem clave
Incógnita que nem Eratóstenes resolveria
Por ti transpassa a latitude ptolomesca de Pitágoras
Algarísmica alegoria de cunho artesanal
Frenesi sem o qual a humanidade se consumiria
Quando todos os gênios e deuses desabarem
A música ainda reinará na Távola de Arthur rei
Musa diáfana a compor-me desejos
Deus-dará
Irei
A Churman,  Chopin ou Bach,
Beetowen, Tchaikóviski, Mozart, sei lá!
Villa-Lobos, o oráculo brasileiro
Piano, dê-me uma nota preta de amor por inteiro
De tuas cordas vocais ouço a foz do conhecimento
Talvez seja só sentimento
Brota em meu peito uma dor que ao canto encanta
Não dói, acalanta
Emana palavras em vez de lamentos
Voz melodiosa de emoção
Avida é uma canção
Festa a ir e vir, estação
Manto da prisioneira liberdade
Expressão impressa
Paisagem da tarde sem pressa
No baile da Deusa
Felicidade

Ateu Poeta
25/11/2008

25
MUSA DO NATAL

Musa do natal
Qual o portal para o teu coração?
Faz de mim ritual
O pedestal para a tua paixão

Fogo que te queima
A centelha da tua vida
Quero explorar as minas dos teus filamentos
Deflorar-te os pensamentos

Acolher-te os tormentos
Ser ator do instante mais feliz
Seja a atriz dessa peça aquarela
Na imensidão de um momento

Que teu regaço seja
 A minha fortaleza, guarida e canção

Ateu Poeta
25/12/2012

26
JOGO BOBO

Se a vida é um jogo
Que seja roda de capoeira
Uma guria faceira levanta fogo
Voz não é mais que lareira

Há atroz algoz à foz afônica
Três estrelas no porão
O sol feroz é um lobo de algodão
Bêbado bobo

Alcorão, talvez
Alcatraz de alcatrão
Atrás do cão que não ladra mais
O ladrão é perspicaz

Conduz fascinação
Tem linhas e marionetes de antemão

Ateu Poeta
02/07/2012

27
DESENHO

Poesia é desenho
As curvas de teu corpo
Mergulho de tigre
Inteligência do corvo

Canto de sabiá na serra serena
Desabrochar de açucena
Açude em teu olhar
Oásis que ilude

Transeunte de alaúde
A cor do céu que mude
Grande sol sem atitude
a luz da lua que afunde

Seu regaço que faz laço em meu pescoço
Sem alvoroço, por que a estrela é tua

Ateu Poeta
07/06/2012

28
UNIVERSO PARADISÍACO

São os sonhos que nos movem
A felicidade é o único sentido da vida
Por isso voo sempre mais alto
Até o universo paradisíaco

Onde os poetas são deuses extremos
As deusas nuas realizam meus desejos hedonistas
Vestidas de paixão num banho de poesia
A música é o manjar supremo

A maçã de Idun adoça todas as bocas
Pecado é sinônimo de loucura
Sagrado e perfeição são só adjetivos de contemplação ao que é belo
Não existe bélico ou profanação

Epicurismo é o primeiro mandamento
E ateísmo um novo nome para razão

Ateu Poeta
30/04/2012

29
GRADES DE DIAMANTE

A maior prisão que existe é a intelectual
O terror impregnado em sua veia espectral
Surreal, sem cor e funesta
Lá que está todo o pavor dos seus receios

Anseios, segredos e desejos em festa
Preso a tantos cadeados de ouro puro
Somos todos escravos, rebeldes ou não
O chicote está na mão mais cruel

O cartel move moinhos escuros
Águas passadas secarão
Nenhuma guerra sessará o sangue
Tantos sem cama e poucos com tanto

Dama em prantos em grades de diamante
Sem ouvido amante para olvidar

Ateu Poeta
08/06/2012

30
DIADEMAS

Às vezes, o poema não cria asa
Então, lembro-me de ti, musa-brasa
Estou em casa no teus braços-algemas
Pairando sobre o Sol-se-por diademas

Queda livre da torres gêmeas diamantes
De amantes arranha-céus arranham chão
Ouço um clarão do perfume beijo fantasia de teus lábios de rainha
Abraço o sabor fugaz da tua imagem-sonho de macia pele

Que se repele ao dia perante a verdade enluarada
Divas sentem saudade na claridade da jornada
No ocaso da jangada adornada
Ou no acaso da razão alada?

Penetro o seio da Terra
O pára-quedas não abriu
O tempo para mim sorriu
Um sorriso fúnebre de guerras

Levanto banhado em poesia
Pássaros seguem minha via estelar
Vão te buscar atrás do monte de pedras
És aurora, no canto sinfônico do sabiá

Ateu Poeta
25/03/2007

31
ROTINA

Rota: 
Bater sempre
Em tua
Porta

Rota, é a cesta 
Que trago 
De gota 
Em gota

Retilínea 
Afoita
Sobe a saia 
Da garota

Mergulho 
Para 
Emergir 
Orvalhos

Alma em frangalhos
Auréola sem bugalhos
Galhos, cascalhos de aura
Buraco-negro

No estômago d’um mendigo
Supernova da fome
Balas de alucíneo
Burlar empecilhos

Cai na lua de aluá
Morri para me encontrar
Entre reticências roucas
Medo de errar

O Inferno é transparecer
O Céu, te conquistar
_Armando, seu malandro
Que estarás armando

Com tal meandro?
Diz Amalie
Quase sem ar
Ao término da ópera

Sucesso na operação
Fim de uma canção
O deserto da noite me consome
Acho a tal flor

Meu amor some
Presente ignorado
No presente
Tenho um coração ausente

Que 
Me 
Foi 
Roubado...

Ateu Poeta
20/12/2004

32
LÁBIOS DE GOTÍCULAS

Noite nublada em serenatas de partículas
Manto negro enluarado pelo beijo gelado da chuva tempestuosa
Nebulosa mnemônica de segredos belos
Ventania fabulosa de cabelos
Orvalhos falho de moléculas labirínticas
Xamã saudosista chama abraços esquecidos
Chama víride envidraça-me a face das pupilas
A idiossincrasia de um toque labial desarmoniza a espiral do pensamento expressionista
Estou alado de gotículas sob o geográfico
Céu das incógnitas filamentais
Náufrago tonto no oceano dos dilemas fundamentais
Aceito no clã dos serafins elementais
Moro na matrix que Sarrus desinventou
Colho as estrelas bilaquianas de Olavo
Lavo o sonho de alicinos coelhos com teias maravilhosas de elétrons
Magneto Anjo Aquífero trajando armadura fabricada com notas agudas de Chopin
A luz impressionista de van Gogh me consome e depois se faz sabre
As trevas de Poe modelam-se escudo despoético
Dos chapéus de Rubens construo elmo
Não adianta ser um druida d’arte quando a verdade é servida à la carte
Possuo todas as fraquezas cabíveis ao homem comum
Nunca passei de um mero natural de Homero

Ateu Poeta
03/06/2007

33
POESIA PESADA

Joga a rima pra outra esquina
Deixe-me aqui a pensar
Regras, pra que te quero?
Normas me fazem tripudiar
Mas prefiro ter liberdade
Poesia de verdade é só linguagem, nada mais
Pra que regras se não as quero?
Impero sem a elas exaltar

Quem as amar que as bajule
Eu quero é me esbaldar na literatura sincera
De azul aquarela, no repente
É minha natureza
A fortaleza dos meus versos está em não ter freio
Não corte minha inspiração
Sai do meio!
A transpiração do poeta não carece de rima
Ou de outra técnica qualquer
Porém, dá leveza
Minha poesia é pesada

Ateu Poeta
18/03/2011

34
MÁQUINA DE LAVAR

Lavagem de dinheiro
Lavagem cerebral
Carnaval o ano inteiro
É nossa herança cultural

O que é estar limpo?
A ficha suja limpa fácil
Põe na máquina do senado
Põe na máquina de lavar

Não sabemos votar
Alguém aí ensina?
A sina do cabresto
Mora em cada esquina

Ateu Poeta
22/03/2012
7:48

35
UNIVERSO DE ARROZ

Viver é simples relação a dois
A ilusão de um poeta sem depois
Universo de arroz numa sarjeta de aquarela
Os olhos dela longe de mim

A solidão de uma tarantela
Enfim, uma indagação sem resposta
Aposta que sempre se perde
Apóstata que nunca se acha

Muchacha que não se esquece
Soneto mais que imperfeito
Pensamento rarefeito que não aquece
Literatura que fenece à História

Verdade peremptória que não aparece
Compositor sem glória na oratória

Ateu Poeta
05/07/2012

36
POESIA PURA

Sentir lalíngua sua
Sobre a idiossincrasia nua 
Voar imerso
No labirinto cósmico 
Do seu sorriso irradiante
Poesia pura 
Na aquarela dura
Da realidade
O Céu é ser seu
Felicidade

Ateu Poeta
22/05/2007

37
ALITERÁRIA

A dúvida paira neste coração vazio
Meu mundo está frio
A lira não alitera
A literária perdeu o lirismo
O mais eloquente aforismo  não incendeia a palha
Para a hora e o dia
O relógio arrepia a aurora do tempo bureau
A poesia inexiste a esta altura
A poética é tortura que ludibria
Perdura anestesia, ilusão
Mergulho no negro seio do universo
Para outra dimensão

Ateu Poeta
31/07/2011

38
TEMPESTADE

Todas as minhas palavras foram distorcidas, retorcidas, mastigadas, incompreendidas.

Isso é poesia ou a vida que é mesmo ingrata?

Poderia haver vida em outros versos, pelo inverso desse universo diverso, porque tudo deriva da antítese matéria-vácuo?

Se os poetas fossem loucos o mundo seria normal?

Todas as ideias mais caras foram esquecidas, rebatidas, mal interpretadas.

Será mesmo que isso importa?

As melhores coisas da vida estão distantes ou isso é só ilusão?

Desequilibrei tantas vezes na corda bamba, mas sempre caio no samba em todo carnaval.

Se todos procuram um par por instinto por que as melhores ideias se aquecem, fermentam e borbulham na frialdade da mais completa solidão?

Procuro retidão mas, me perco em suas curvas.

Olho para o horizonte mais longínquo e não consigo fugir do labirinto enigmático dos seus olhos radiantes.

Parece próxima longe e longe próxima.

Não sei mais se quero prisão ou liberdade, mesmo sabendo que ninguém de fato é livre.

Será que já fui um pensador ou um simples passavante avante em paços desérticos, incertos, de parcos passos sem primadonna nessa orquestra sem fim?

O céu pelo qual me empenho estará disposto a se abrir ou a tempestade inundará mais ainda esse naufrágio?

Tudo um dia foi frágil. A força não existe em definitivo, por si, é uma mera obra em transição molecular.

a melhor obra-prima não superará a naturalidade da imperfeição que se auto-transforma em valquírias belas sem nenhum Designer invisível, facínora, fascista, onipotente-ciente-presente daquilo que jamais controlaria.

Esta noite assisti, na grande Ragnarok, à morte de Odin, Dion e Théo, nos negros campos do Valhala.

Se o universo fosse criado por Lugh tudo seria poesia?

O olhar de uma guria pararia o mundo?

Ateu Poeta
07/02/2011

39
CÉU EM CÍRCULOS

O universo anda em círculos imprecisos
Eu circulo por aí e me perco no horizonte dos teus olhos preciosos
Faço do teu corpo dobraduras de cristal
Preciso urgentemente do teu calor natural

No logradouro do teu abraço me perco
Regaço que enlaça meu pobre coração adormecido
Teus beijos são loucuras de amor e libido
Pudor vira vapor entre quatro paredes

Quadro que esconde meu rosto da multidão
Oxente, teu corpo é corrente de onde a poesia flui
Contemplação, prazer e ardor no mesmo lugar
O céu da tua boca é o paraíso obtuso que preciso

Meus medos criam abismo entre nós
Ditames diáfanos de infindos nós a flutuar

Ateu Poeta
07/07/2012

40
-MARESIA ORQUESTRAL

Teu olhar de tempestade, minha cara
Transforma minhas sinapses em etimologia
Teu corpo é poesia de saudade
Fantasia ultra-surreal

Mar de ufanias
Maresia orquestral
Descomunal sinfonia
A mais incrível aventura intergaláctica

Paralaxe para lá da Via Láctea
Júlio Verne não ousou tal maestria
Nenhum ourives sonhou joia tão rara
Tua imagem é lobotomia da razão

Em teu rosto mora a fascinação
Vou voar para a próxima estação

Ateu Poeta
04/06/2012